sábado, 30 de maio de 2009

O mundo ficou..


Alguém, algures, decidiu dar-me um livro em branco, tantas folhas preenchidas com nada. O livro que escrevi com o teu nome em cada paragráfo, com o teu cheiro em cada página, com o teu rosto em cada palavra, com o nós em cada vírgula, esse que estava naquela mesa de cabeceira ao lado da minha cama naquele quarto dentro daquela casa que construiste de uma só vez no meu coração, em que moraste por pouco tempo.Cada segundo parecia um ano, cada noite uma década, cada dia tudo.
Rasguei todas as folhas, as deixei voar no vento, a água ficou com umas, o céu outras, o mundo todas. O mundo ficou com o meu amor por ti, tu o poderas esquecer, eu? Não. De ti lembrarei sempre com o soprar do vento com o reflexo do espelho, com o ir e vir da água, mas doer? Já não doi, amar? Ja não amo, querer? Já não quero.
Naquele livro só o meu nome e a data se sabe, o resto em branco, folhas sem fim, rascunhos muitos, verdades poucas. Com uma caneta rabisco aquela folha de papel, somente desenhos saem, palavras não tenho, procuro-as… mas nem eu sei o que dizer.


quarta-feira, 13 de maio de 2009

Registro

Do que falar agora, quando o meu assunto esta trancado entre as portas do passado.
Quando me olho no espelho ainda vejo as marcas que deixaste em mim, as tantas que me mudaram, obrigada, o teu reflexo em mim, mas nada mais que isso, nada mais do que um reflexo do que ja fui, ja fomos, e nunca mais seremos.
A verdade entranhou-se na minha pele, no meu corpo na minha mente, e nao me importo que te tenhas ido tao mansinho que nem vi, tarde demais notei.
O meu corpo ainda se vira na tua direccao, a minha cara na oposta, mas a minha mente nada registra, nada importa, tempo e so isso que preciso para tomar controle do meu corpo e o deixar como estiver na tua presenca, essa que por vezes aparece solitaria, acompanhada nao interessa.
Ainda estas em cada frase que digo, e impossivel no contar do tempo nao pronunciar o teu nome, ainda o vejo escrito pelos cantos de todas as ruas sem sentido, como as nossas que ja nao encaixariam, ja nao faz sentido continuar, eu sou eu, tu es tu, nada mais que isso, tudo o que e preciso.
Aquela foto me perturba, nao sei porque, desisto de saber.
Amor? O que e isso entre nos? Ja nao importa, as tantas palavras que pelo meio nao foram pronunciadas, as tantas mentiras que nao pesaram, verdade ou mentira o facto nao muda, nunca mudou, nao mudara, e ca estou dando as voltas com o mundo, nenhuma ancora, ondas sem fim.. estas que veem, sabem bem.
Liberto-me de ti, guardo as lembrancas e olho para as mudancas.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Mentiras

Mais uma mentira, cada dia que digo que nao te amo, esta que sempre foi uma mentira, torna-se um passo mais perto da verdade.
Cada dia mais minha, menos tua, mas hoje vou lembrar, vou voltar so por uns pequenos minutos, aproxima-te da porta trancada das minhas memorias que hoje vamos dar uma volta no parque, nos os dois.
Dois dias, pareceram mais dois anos, saudades aquelas que me consomem, parar? nao queria, nao tinha forca nao aguentava, atras de ti, sempre.
Os meus olhos focaram-se onde sabia que estarias, no lugar de sempre, com o teu cigarro camel na mao, nao te encontrar foi doloroso, que faria se nao te visse? Ouvi algures alguem pronunciar o meu nome, nao quis saber, queria-te a ti, volta meu amor, volta para mim, as saudades estao a acabar comigo. "Diana", as escadas estavam a dois degraus do fim, virei a cara e la estavas tu a olhares para mim, cada letra do meu nome pronunciada por ti, fez-me vibrar. Esqueci-me de quem tinha ao meu lado, desci os degraus as pressas, e fui bater no teu corpo, o meu castelo ninguem aqui poderia apanhar-me nao teriam forcas. Apercebi-me tarde demais de como tinha sido impulsiva, sem jeito larguei-te, entre o teu beijo e o teu abraco um pouco surpreendidos..

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Sentidos

Realmente, palavras para que?
Poderia encontrar-te sem precisar gritar na escuridao: " Onde estas, meu anjo?"
Bastava respirar, algures encontraria o perfume da tua pele, aquele que comeca doce e acaba com uma pitada de cigarro, o poderia reconhecer algures, nunca com uma amostra dele fiquei, e leve demais ( nao e um perfume) es tu, o teu cheiro.
Fecha os olhos pensaria, eles esqueceram-se de ti, e doloroso olhar para um anjo cadente, a cair, estas a cair nas profundezas, onde nao vou, onde doi ir, -" Anjo, promete ficar aqui ate eu voltar, um dia volto, espera".
Da-me as maos e guia-me, onde quiseres, seguirei-te e abandonarei-te, - " vais acabar comigo outra vez, meu anjo".
Se te tocasse, seria luta perdida, vencerias - " Nao me toques, anjo, senao desapareco"
A tua voz, ja nao sei dela a perdi pelo caminho o silencio venceu - " Se disseres o meu nome anjo, encontrar-me-as ao teu lado"

Voa para longe onde nao te posso ter, nao te posso ver, nao te posso tocar, conhecer.
Leva-me contigo, nao me deixes para tras, nao me facas construir asas para te seguir.
Aqui fico eu, e la vais tu.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Primavera

A dias que sinto algo a construir-se bem por debaixo da minha pele, algo a mudar, a espera.
Esperei tantos segundos, minutos, horas, dias para que esta paz voltasse, e foi assim que a encontrei.
Passo atras de passo por entre tantas caras, tantas vozes, lojas, uma atras da outra, entrei nas que me interessavam, nada de novo, nao preciso disto ja tenho.. Mas PRECISO mudar, pq eu mudei, e isso sempre significou mudanca de guarda-roupa. Para as pessoas que vivem comigo, mudanca de guarda-roupa significa novo amor, novo aroma, novas felicidades, novas tristezas, hoje, mudo pq algo voltou, ou algo comecou.
Sinto algo que nao me tocava a muito tempo, energia, entusiasmo, ideias, tantas coisas vejo a minha frente..O primeiro dia do que? Nao sei o que esperar do amanha, nao sei como me comportar, nao quero saber, vou ser eu, sem medos, como prometi, a quem? Ja nao sei.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

John and Rose

Nao havia maneira de fazer aquele dvd-player funcionar, sempre um problema quando tinham algo importante a acontecer, ela comecava a achar que aquele tinha algum genero de stress quando se tratava de momentos importantes, em que um filme era obrigatorio, pois quando nao havia o querer ver um filme funcionava as mil maravilhas.
Ela decidiu que nao haveria nada que fizesse aquele seu dvd-player ressuscitar, como ja tinha visto muitos filmes no computador, com enorme vergonha propos-lhe: "Podemos assistir no computador?" Ele com zero entusiasmo concordou, nao era esse o ambiente que desejava, e tudo o que menos queria era tar sentado numa cadeira e ela noutra. Como ela o olhasse e mais uma vez lesse algo na sua cara disse: "Eu acho que e desconfortavel sentarmo-nos numa cadeira durante duas horas, podemos trazer o sofa do meu quarto, o unico problema e que nao cabemos la os dois", com um olhar ofendido ele respondeu-lhe: "Esse nunca foi o nosso problema Rose", a tentar esconder todos os sentimentos que vieram naquele segundo perguntou-lhe: " Ficas bem se eu me sentar no teu colo?", ele sem olhar para ela so foi capaz de dizer um" "sim".
Pegaram o sofa do quarto dela e comecaram a assistir o filme, ela nas pernas dele, tudo tinha mudado, tudo menos isto, parece que era a unica coisa que nao mudaria entre eles, tambem para que mudar o que sempre foi assim? esta dependencia um do outro, ela naquelas pernas que a faziam sentir tao segura, ele a segura-la, os bracos a volta da sua barriga, nao a largando, nao, larga-la era doloroso demais para ele.
Desde aquela tarde em que tiveram aquela estupida zanga, ela tao cansada dos amigos dele, ele cansado do medo dela de o perder, era um medo inutil, mas naquela tarde ele a viu quebrar em pequenos pedacos, nada pode fazer, ele estava demasiado irritado para a perdooar, tudo o que sempre lhe pediu era para ela nunca gritar com ele, nao suportava isso, e quando ela o fez tudo caiu, ele soube que nao haveria volta a dar, o fim. Ela comecou a chorar, o controle era algo que lhe faltou completamente naqueles tantos e longos minutos, ele a abracou e prometeu-lhe: " Seras sempre a minha melhor amiga, nao importa o que aconteceu aqui hoje, eu amo-te" Entre lagrimas ela disse: " Eu tambem te amo".
As pessoas viram aqueles dois a passarem de um casal que nao conseguia aguentar mais de uma hora separados um do outro, ela sempre sentada no colo dele, o casal meloso diziam as invejosas, passaram de amor total, a uma amizade com cuidados excessivos, controles, nao se podiam magooar.
A curiosidade dele o tinha levado a chegar naquele dia a casa dela, para assistirem um filme de terror, ela tinha dito que ele nao a queria ver a ter medo, isso causou-lhe uma curiosidade intensa, ultrapassou todas as precaucoes e numa tarde exigiu-lhe: " Eu quero ver 28 days later contigo, na tua casa ou na minha?" Ela com uma cara terrorizada e derrotada disse: " Na minha, tu sabes que os meus pais estao a viajar outra vez", os pais dela sempre a viajarem, ela tambem tinha essa paixao mas as aulas a impediam de explorar o mundo como desejava, e desde que conhecera o John nao aguentaria estar muitos dias em outro pais, nao sem ele. Acrescentou ao ver a cara dele de satisfeito e curioso "Vou morder-te se ficar com medo" - " Just don't touch my piercing", " Hmm, okay, your skin is enough" - " hahaha". Esta conversa era irrelevante agora, ela estava sentada nas pernas dele, nada a podia fazer sentir medo, sentia-se protegida, e os bracos dele a formar uma corrente na barriga dela, fazia a sentir nervosa, mas sabia que com ele aqui nada de mal poderia acontecer, aquela corrente lembrava-lhe sempre o como ela estava acorrentada a ele, inquebravel.
La vinham os zombies na tela, ela cravou-lhe as unhas na pele, ele deu um salto, e afundou os bracos mais no abraco que os mantinha juntos naquela poltrona, ela olho-o, e disse em voz baixa: " Perdooa-me", ele percebeu que ela nao se referia ao filme, e disse: " A mim tambem", tirando as maos do abraco a fazendo olhar para ele, e beijando-a. Ela pos as maos no pescoco dele.
Nada mudaria, ainda se amariam, mas nao sabiam se haveria perdao, mas continuaram, nao importava se poderiam magooar-se, eles tentariam, nao importa se nao haveria mais nada para recuperar, eles continuariam um pelo outro.


domingo, 26 de abril de 2009

Tudo e Nada

O que era tudo agora e nada, o que sinto e nada, quero o tudo para parar de sentir o nada.
O nada que deixas-te para tras, o tudo que levas-te contigo, eu caminho nestas nuvens que nada teem a procura do tudo que algures se esconde, algures me espera, ou sera que ja la foi? Secalhar para uma pessoa como eu em que o tudo virou as costas, nao ha mais nada do que o nada. Talvez o nada seja o tudo, e nao haja mais do que nada, o tudo um sonho que tive numa noite de nada, ou secalhar tu foste o nada, e este e o comeco do tudo.
Como desejo que nao passes de nada, mas como sei que para mim es o tudo.